A Covid-19 e todas as dificuldades das aulas remotas nos fez reinventar uma prática educativa realizada há mais de vinte anos: “O Ensino de História em jogos de tabuleiros”, uma estratégia e um método educacional que consistia na elaboração de jogos em tabuleiros desenhados em papelão, pelos alunos da segunda série do ensino médio, para interagir e descontrair os colegas da terceira série antes da semana do vestibular, numa espécie de revisão divertida. No período de isolamento sanitário, o tabuleiro se transformou em jogos digitais elaborados no Wordwall, uma plataforma gratuita de jogos voltados para educação. Naquela ocasião, o pátio da escola foi substituído por uma live na qual cada equipe convidou um aluno dos terceiros anos para a famosa revisão. Essa experiência foi trazida para a pesquisa de mestrado – “Por uma prática antirracista: o Ensino e História por meio de episódio de racismo na mídia brasileira” e a metodologia por meio de jogos digitais, assume dessa vez, o objetivo de mostrar para seus leitores e todos que interagirem, por meio da plataforma, que o negro no Brasil também construiu ciência, educação, arte, economia e sobretudo, resistência por meio de inúmeras atitudes como por exemplo, as ações do Movimento Negro.

Nesses jogos, vídeos e podcasts os alunos do IEMA Bacelar Portela mostram produções e contribuições das identidades negras na ciência, arte, educação e em todos os campos sociais e econômico desmitificando inúmeros textos considerados didáticos que retratam o negro num lugar comum de escravo e não de escravizado e sem direito de ser humano. O podcast é fruto das rodas de conversas e oficinas de formação nas quais os estudantes partem do casos de racismos apresentados pela pesquisa de mestrado como por exemplo: o episódio do pedreiro Amarildo que sumiu após ser preso por policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na favela da Rocinha no Rio de Janeiro; o episódio ocorrido com o jogador Vinicius Júnior o qual mostra que embora sendo rico, o racismo procura não humanizar o negro , o caso Carrefour no qual a professora Isabel Oliveira retirou as vestes no supermercado para comprovar que não estava roubando mercadorias; o episódio sofrido por uma aluna de Santa Inês- MA dentro de um ônibus escolar e o episódio sofrido pelos alunos do IEMA em jogos escolares em São Luís mais uma vez o racismo envolvendo espaços e práticas escolares. Nesses áudios, os discentes debatem as relações raciais no Brasil em roda de conversa.

Essa metodologia com jogos proporcionou aprendizagens significativas para o Ensino de História da cultura afro-brasileira e africana proposto pela Lei nº 10.639/2003 por cumprir a Lei, por promover a capacidade de aprender outros conteúdos e pela capacidade de reaprendizagem que consiste em retroalimentar novas discussões. Os jogos, vídeos e podcasts presentes na plataforma Racista não me trisca! consideraram o cotidiano do debate sobre as relações raciais difundido e divulgado nas mídias sociais sendo resultantes ou não de notícias de jornais para compor o aprendizado sistemático dos estudantes, apontando caminhos para novos trabalhos e novas leituras dentro e fora de sala de aula que acolham também as experiências da juventude.

Jogos elaborados por alunos do IP Bacelar Portela

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